O governador Mauro Mendes (UNIÃO) admitiu que houve a existência de núcleos golpistas em Mato Grosso que promoveram o bloqueio de rodovias estaduais e federais e participaram dos ataques antidemocráticos à sede dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. A afirmação foi dada ao programa Roda Vida, da TV Cultura, nesta segunda-feira (29).
Após o resultado das eleições presidenciais de 2022 e a vitória de Lula à presidência da
República, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso e diversas partes do
Brasil se insurgiram contra o resultado das urnas e interditaram estradas. Em janeiro do ano
passado, invadiram e depredaram os Três Poderes na Capital Federal.
Em um dos blocos do Roda Viva, a apresentadora Vera Magalhães questionou Mendes sobre a
existência desses grupos em Mato Grosso. O governador admitiu, entretanto, garantiu que
esses grupos foram todos desfeitos e enfatizou que seus integrantes utilizaram de
mecanismos inapropriados em suas reivindicações.
“Talvez existiram sim. Mas isso já se dissipou completamente. Hoje existe no meu estado um
clima de absoluta normalidade. Está todo mundo focado em trabalhar, produzir e cada um
cuidar da sua vida e torcer para que o Brasil encontre um caminho melhor. Eu acredito que é
isso que essas pessoas desejavam, muito embora usaram de mecanismos e até instrumentos inadequados”, disse.
Mendes também criticou a forma como os processos e julgamentos desses acusados vêm
sendo conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que gostaria que, no Brasil,
a maior parte dos crimes políticos fossem tratados como os que “estão tratando esses
cidadão”.
Fizeram algo errado? Sim, porém já vi crimes muitos piores sendo cometidos por políticos e
atores das diversas esferas da organização do Estado braileiro que passaram a mão na
cabeça e ficaram por isso mesmo. Se está errado, tem que punir. Mas que esta punição fosse
estendida a todos aqueles que cometeram crimes muitos piores do que aqueles que
manifestaram, quebraram, depredaram e invadiram o congresso. Está errado. Não podia
invadir. Tem que responsabilizar. Mas eu acho que está tendo sim, na minha opinião, um
pouco de exagero e politização dessas punições”.
Naquele 8 de janeiro, 243 pessoas foram detidas em flagrante na Praça dos Três Poderes e
1.929 conduzidas dos quartéis para a Academia Nacional de Polícia, sendo que 775 foram
liberadas no mesmo dia, segundo relatório divulgado pela Corte Suprema em janeiro deste
ano. Ao todo, 1.345 denúncias foram recebidas pelo colegiado do STF.


